Deonira L. Viganó La Rosa
Terapeuta de Casal e de Família. Mestre em Psicologia.
Ninguém pode agir como se existisse uma Família que pudesse viver e morrer isoladamente, como se ela tivesse realidade por si só, com independência das estruturas sociais.
A família não está simplesmente sofrendo uma crise, a família está imersa num profundo processo de transformação acompanhando as mudanças sociais, culturais, econômicas, políticas, climáticas e religiosas que, a um ritmo cada vez mais vertiginoso, modificam a sociedade. As mudanças na família e na sociedade são interdependentes.
Apesar das variadas formas que assume e das transformações que passa ao longo da história, a família permanece como condição para a humanização e socialização das pessoas. É na família que os valores são aprendidos .
Humanizar o humano?
Diz Antônio Allgayer: “Jesus era tão humano, que de tão humano só podia ser Deus”. Humanizar é um verbo que o cristão precisa conjugar em seu cotidiano. Quando ele pratica um ato humano, praticou um ato cristão. Se ele pratica um ato desumano, é anticristão.
Há pouco tempo, alguém nos surpreendeu com esta pergunta: “Humanizar? Como assim, humanizar?”
Humanizar o que já é humano parece algo contraditório. Entretanto, todo ser humano é um ser inacabado e, se é saudável, está consciente de sua inconclusão. Portanto, o homem pode sim humanizar-se (ou desumanizar-se), pois ele cresce (ou decresce) todo dia. Mas, somente a humanização – o ser mais - é a vocação do homem. A desumanização gera o 'ser menos’.
Humanizar é ter uma concepção clara de “que homem queremos construir”, isto é, “como este ser humano deve ser para ser ‘humano’”. E agir em coerência. A pessoa que vive determinados valores, como a empatia, a compaixão, a solidariedade e o cuidado, certamente será ‘humana’. Quem é ‘humano’ não pode ferir o outro porque, quando o faz, se sente ferido.
Humanizar-se é, então, evoluir. É educar-se para ser mais benévolo, mais ético, mais compassivo, mais solidário, mais empático. É um processo que dura uma vida.
Humanizar a sociedade
A humanização oferece um sentido à ação humana. Ela auxilia a quem age a explicar a si mesmo como inserido num mundo de relações sociais e políticas.
Trabalhar para que a sociedade seja humanizada nada mais é do que buscar estratégias e ações que visem colocar o ser humano, e o respeito que lhe é devido, como centro das relações políticas, comerciais, culturais. Quando estas relações giram em torno do eu, do poder e do dinheiro, fazendo do ser humano escravo destas variáveis, então a sociedade está se desumanizando.
Sabemos que o homem e a mulher, muitas vezes, geram ações desumanas, perversas e destruidoras que os desviam de sua vocação humanística. Mas, seu papel fundamental é humanizar cada vez mais o mundo, dizer não a intolerância, às culturas de opressão e de negação das diversidades. É empenhar esforços para que as necessidades de cada ser sejam humanamente satisfeitas.
Nessa luta, o papel dos pais e educadores é central, já que são eles que indicam os caminhos, apontam as situações-limites, propõem a leitura de mundo, subsidiam o corpo crítico dos filhos e alunos e colaboram na formação ético-social de pessoas que terão a missão de agir e transformar a sociedade e o mundo em que vivemos.
Sem comunicação não há humanização
Somente o modelo motivado pela solidariedade, realizado pelo encontro interpessoal e mediado pela palavra é capaz de promover a humanização.
O ser humano dispõe do grande instrumento da palavra para mediar os encontros interpessoais. A palavra precisa ter lugar mais relevante no cotidiano institucional e familiar. Desafortunadamente, ainda não usamos com eficácia a palavra. Até bem pouco tempo tínhamos que controlar a palavra para não sermos massacrados pelo autoritarismo da sociedade, da escola, da própria família. E, apesar de agora o uso da palavra estar permitido, temos resquícios que nos impedem de falar e/ou escrever, tememos expor-nos, ou vamos para o outro lado, usando a palavra para manobrar e ferir pessoas.
Importa lembrar que o sentimento vem à frente das palavras. Conseguindo colocar-se no lugar do outro, você se sensibiliza com as alegrias, as dificuldades e o sofrimento, e é isso que o torna mais humano e lhe possibilita realmente ajudar alguém. Entrar em contato com os próprios sentimentos é a base para desenvolver a empatia. Como alguém que despreza as próprias necessidades e sentimentos poderá compreender as necessidades do outro?
Uma família se humaniza quando as relações entre seus membros se tornam civilizadas (a boa educação é a fina flor da caridade), repelindo qualquer violência, oferecendo atendimento de qualidade, capaz de gestos concretos de solidariedade e de compaixão. Os pais dando o exemplo e criando ocasiões para estas práticas.
domingo, 26 de julho de 2009
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Muito bem colocado. Há muito o que fazer nesse campo. Mendes.
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